segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A crise dos valores tradicionais

   A 1ª Guerra Mundial mudou por completo a maneira como as pessoas pensavam. Antes da Guerra, ninguém pensava que a Europa poderia deixar de ser o continente mais próspero. A Guerra veio pôr tudo o que os europeus acreditavam em causa, desmoralizou-os e todos os seus valores ficaram destruídos. A sociedade anterior à Guerra tinha uma mentalidade optimista e confiante do futuro, acreditava na ciência e na técnica como construtoras do progresso.
   A primeira Guerra Mundial veio pôr em causa todos os valores e certezas das sociedades ocidentais. Tudo no que se acreditava antes foi substituído por incertezas e um clima de inquietude, que conduziu à contestação e ao abandono progressivo dos valores tradicionais (valores que assentavam na família, na propriedade privada, no pensamento racional, laico e positivista, na democracia liberal e parlamentar e num conjunto de direitos e liberdades individuais). Verificou-se, portanto, uma anomia social (ausência de normas e de regras) nos países ocidentais.
    Após a Revolução Soviética, os governos e os grupos sociais começaram a preocupar-se com a possível emergência de movimentos revolucionários nos seus países. Alguns governos lutavam pela ordem tradicional, enquanto que outros lutavam criação de novos partidos. Havia, também, uma divisão entre a população pois alguns estavam de acordo com as novas ideologias políticas de esquerda e outros com as tendências nacionalistas.

   Foi por volta desta altura, também, que surgiu a emancipação feminina, ou seja, a mulher passou a exigir um papel nas sociedades ocidentais de modo a deixar de ser vista apenas como uma posse do homem, cujas opiniões e acções dependiam das do marido, ou do pai. Com a Revolução Industrial, os patrões encontraram na mulher uma mão de obra barata. E desta maneira, as mulheres conseguiram alguma independência, através dos salários (que eram sempre mais baixos que os dos homens), a mulher pôde libertar-se economicamente do homem e este foi um grande passo para a reivindicação dos direitos das mulheres.
   Nos finais do século XIX a mulher começou reivindicar alguns dos mais básicos direitos, que lhes tinham sido negados durante anos. Direitos como a liberdade, a igualdade de direitos e o sufrágio universal. Foram os chamados movimentos sufragistas.
   Durante a Primeira Guerra Mundial, com grande parte dos homens, que constituíam a força de trabalho, na frente de combate, as mulheres assumiram os papéis dos maridos ausentes. A Guerra proporcionou a intervenção da mulher em quase todos os sectores de actividade económica e social. Do ponto de vista da emancipação feminina, a 1ª Guerra Mundial foi muito vantajosa, pois proporcionou às mulheres uma visão do mundo que lhes havia sido negada, e incentivou muitas delas a lutar pelos seus direitos.
   A entrada da mulher no mundo do trabalho modificou as mentalidades da pessoas. Permitiu um melhor e mais aberto relacionamento entre os sexos e diminuiu o número de filhos por casal.O facto de nas cidades não ser possível a convivência em família, como havia, por exemplo, no campo, também fez mudar o modo como as pessoas viam as famílias. O conceito de família já não abrangia, portanto, a família alargada, mas apenas o núcleo familiar, ou seja, as pessoas que viviam dentro da mesma casa: pai, mãe, filhos.

   Como já foi referido, depois da Primeira Guerra Mundial a mentalidade das sociedades ocidentais mudou por completo. De tal maneira que até se diz que o século XX só começou em 1918 e que os anos anteriores a esse foram apenas um arrasto do século anterior. Depois da Guerra, tudo em que se acreditava foi posto em causa. Antes de 1914 as pessoas acreditavam no Positivismo, ou seja, nas verdades absolutas (todos os factos científicos, históricos e de todas a outras ciências, eram incontestáveis pois expressavam a verdade). Estas ciências eram portanto, objectivas, em vez de relativas e subjectivas, como as aceitamos hoje.
   No princípio do século XX cada vez mais cientistas aderiram ao relativismo como maneira de encarar as ciências, como foi o caso de Einstein e Freud, que foram grandes adeptos desta nova maneira de pensar e de encarar os problemas da vida.

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