quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Crise de 29/30

   Os anos de prosperidade americana que se seguiram à primeira Guerra Mundial, conhecidos como a “Era da Prosperidade” provocaram um crescimento da especulação, que ultrapassava as reais condições do mercado económico. Com as inovadoras técnicas de incentivo ao consumo, como o consumo a crédito, a população americana começou a viver acima das possibilidades.
  A 24 de Outubro, na Quinta Feira Negra, todos os investidores puseram as suas acções à venda pois aperceberam-se que estas não correspondiam à realidade. A bolsa de Nova Iorque encontrou-se, portanto, numa situação onde a oferta era muita e a procura não existia. Toda esta situação foi causada por uma crise de superprodução (crescimento descontrolado da produção; aumento de stocks e baixa da produção), que foi resultado da especulação bolsista e da inflação do valor das acções.
  
A Bolsa de Nova Iorque após o crash

   A América encontrava-se, portanto, numa crise bolsista que deu origem a crises em todos os outros sectores de actividade económica. Seguiu-se à crise bolsista, uma crise financeira que resultou na restrição ao crédito e na retirada de capitais americanos no estrangeiro. Isto afectou bastante a economia europeia, que ainda se encontrava em recuperação e necessitava do financiamento dos EUA. O país mais afectado na Europa, foi a Alemanha, onde se verificou um aumento ainda maior do desemprego e consequentemente da miséria da população.
   Outro resultado da crise bolsista foi, também, a retracção do comércio internacional. Verificou-se uma quebra na compra de matérias-primas e de produtos industriais por parte dos EUA, o que afectou por sua vez as colónias e os países subdesenvolvidos da Ásia, da África e da América Latina, que eram exportadores de matérias primas e de produtos alimentares.
   Para além destas crises, verificou-se ainda, outra crise no sector industrial, que resultou na falência de empresas, na diminuição da produção e na diminuição dos preços (deflação). Com esta crise, a economia americana quase que paralisa e gera-se uma crise social, a Grande Depressão. As pessoas tornam-se desesperadas, especialmente a classe média, pois vê o seu nível de vida a baixar e perde todas as suas poupanças. Como resultado desta situação, a população começou a fazer greves e manifestações como maneira de expressar o seu descontentamento. Todo este desespero fez aumentar as tensões raciais e os antagonismos sociais, que culminariam, mais tarde, nos avanços dos regimes totalitários por toda a Europa.
   Houve também uma crise agrícola, resultante de todas as outras, onde os agricultores se viram obrigados a destruir os stocks existentes, resultantes da crise da superprodução.
   Toda esta situação veio pôr em causa o capitalismo liberal e o parlamentarismo e mostrou a fraqueza dos mesmos ao Mundo. Para sobreviver a esta crise, os EUA e a Europa viram-se obrigados a implementar mudanças radicais na política e na economia dos seus países

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