Antes da Revolução Soviética a Rússia era um país extremamente atrasado, que vivia num regime absolutista autoritário. A principal actividade económica do país era a agricultura, que era praticada num sistema feudal, quase medieval. Os produtos produzidos não chegavam para alimentar toda a população, que era abundante. Socialmente os russos viviam oprimidos, com fome e na miséria.
Politicamente a Rússia era também atrasada. Na Europa já existiam monarquias parlamentares e Repúblicas, enquanto que na Rússia ainda se vivia numa monarquia absolutista. O Czar russo era quem fazia as leis e governava de uma forma autoritária.
A adesão da Rússia à 1ª Guerra Mundial, em 1916, veio agravar toda esta situação na Rússia. O exército russo, embora grande, estava mal nutrido, mal equipado e mal preparado, o que resultava num alto número de mortes e perdas de batalhas durante a Guerra. Como grandes parte dos camponeses tinha ido para a guerra, houve uma queda na produção agrícola. Tudo isto agravava a miséria do povo russo, que depressa se começou a revoltar contra o regime.
A Revolução de Fevereiro de 1917 não foi a primeira tentativa de revolução. Em 1905 já tinha havido um movimento que teve por objectivo tentar impor uma monarquia constitucional. Porém os protestos foram violentamente reprimidos pelas tropas do Czar, no que viria a ser conhecido com o Domingo Sangrento. Depois deste acontecimento o Czar viu-se obrigado a retirar alguns privilégios da aristocracia e a criar a DUMA (Parlamento), para fazer crer ao povo que a Rússia vivia num regime parlamentar, quando na prática isto não acontecia realmente.
| A Violência no Domingo Sangrento |
A população russa estava descontente, não só com o regime, mas com as suas condições de vida e por esta razão aderiram muito rapidamente aos ideias socialistas. O regime socialista defendia a propriedade do Estado em vez da propriedade privada; defendia o sistema socialista (em que quem governava a nível político e económico era o Estado) em vez do sistema capitalista e isto atraiu a população russa, que queria ter melhores condições de vida. As classes trabalhadoras lutavam por melhores condições de vida e tentavam reivindicar os seus direitos. A Guerra, de uma maneira, foi a gota de água e foi o que levou o povo a unir-se para fazer a revolução.
Os soldados também não tinham condições de vida e as suas famílias estavam entre os manifestantes, por esta razão, a certa altura em vez de defenderem o Czar começaram também a revoltar-se contra ele.
Porém, esta Revolução não teria sido possível sem Lenine, que regressou do exílio em 1916, e que incentivou o povo russo a lutar pelos seus direitos. Lenine foi o mentor da Revolução de 1917 e aproveitou as derrotas e a miséria para fazer crescer o ódio ao Czar. Foi em baseado em Carl Marx, que Lenine criou a sua própria ideologia política: o Marxismo-Leninismo. A grande diferença entre a ideologia de Marx e a de Lenine era que Carl Marx pensava que a revolução socialista se daria num país industrializado, devido ao elevado número de operários que existiam nesses países. Lenine transformou esta ideologia política para se adaptar à Rússia, onde em vez de industrializado, o país era atrasado e agrícola, e em vez de operários havia camponeses.
Depois da Revolução de 1917 a Rússia vivia numa espécie de regime duplo, marcado pela coexistência de dois poderes paralelos: o Soviete de Petrogrado (formado pelos revolucionários, o soviete de Petrogrado era composto por deputados dos soldados e operários da cidade de Petrogrado e era liderado por Kerenski; o Soviete de Petrogrado propunha-se a discutir com a população os problemas da mesma e resolvê-los de acordo com a vontade e os interesses da maioria) e o Governo Provisório (constituído pela Duma, que se considerava o único poder legal face à queda do Czar; o Governo Provisório, que era apoiado pela burguesia russa, numa tentativa de tornar a Rússia num regime mais liberal à maneira ocidental, estabeleceu algumas leis como: a independência entre a Igreja e o Estado, a introdução do júri nos tribunais, eleição por sufrágio universal dos conselhos administrativos locais, adopção da jornada de oito horas para o operariado, entre outras; no entanto, estas medidas tiveram pouco impacto devido à desordem político-administrativa e à pouca força que a Duma tinha entre os cidadãos). Estes dois governos estavam constantemente em conflito. Enquanto que o Governo Provisório pretendia a estabilização da situação interna através da nova ordem política por ele legislada, o Soviete de Petrogrado pretendia que a ordem política fosse a democracia directa. O Soviete pretendia também a socialização da economia e a instauração da ditadura do proletariado.
Foi por esta altura, também, que muito dos políticos russos que haviam sido exilados pelas forças czaristas regressaram à Rússia. Foi o caso de Lenine, que assumiu desde logo um lugar de destaque no Soviete de Petrogrado e na liderança dos Bolcheviques. Lenine foi o grande mentor da Revolução de Outubro de 1917. Foi baseado em Carl Marx, que Lenine criou a sua própria ideologia política: o Marxismo-Leninismo. A grande diferença entre a ideologia de Marx e a de Lenine era que Carl Marx pensava que a revolução socialista se daria num país industrializado, devido ao elevado número de operários que existiam nesses países. Lenine transformou esta ideologia política para se adaptar à Rússia, onde em vez de industrializado, o país era atrasado e agrícola, e em vez de operários havia camponeses. O Partido Bolchevique, liderado por Lenine, reivindicava a paz imediata, a liberdade para as nacionalidades, a expropriação dos proprietários fundiários e a nacionalização das terras, dos bancos e das grandes indústrias, bem como a passagem do controlo da produção para os operários.
O Governo Provisório teve, desde início, vários problemas a enfrentar. Tinha sido criado pela Duma, que tinha pouco poder político entre os cidadãos e funcionava em paralelo com o Soviete de Petrogrado, cujas ideologias e esferas de acção se contrariavam constantemente. A instabilidade política sentia-se na Rússia desde Fevereiro e como consequência havia caos, as actividades económicas tinham paralisado e a já existente miséria agravara-se ainda mais. Havia desordem interna no país e esta reflectia-se negativamente nas esferas políticas, incapazes de controlar a situação. A Duma estava cada vez mais inoperante, diversos partidos não se entendiam e os governos provisórios sucediam-se.
Foi face a todos estes problemas que o Soviete de Petrogrado resolveu enviar os Guardas Vermelhos para ocupar as instalações do Governo. Foi a chamada Revolução de Outubro, que deu, finalmente, o poder ao Soviete de Petrogrado, liderado pelos Bolcheviques.
O Governo Provisório teve, desde início, vários problemas a enfrentar. Tinha sido criado pela Duma, que tinha pouco poder político entre os cidadãos e funcionava em paralelo com o Soviete de Petrogrado, cujas ideologias e esferas de acção se contrariavam constantemente. A instabilidade política sentia-se na Rússia desde Fevereiro e como consequência havia caos, as actividades económicas tinham paralisado e a já existente miséria agravara-se ainda mais. Havia desordem interna no país e esta reflectia-se negativamente nas esferas políticas, incapazes de controlar a situação. A Duma estava cada vez mais inoperante, diversos partidos não se entendiam e os governos provisórios sucediam-se.
Foi face a todos estes problemas que o Soviete de Petrogrado resolveu enviar os Guardas Vermelhos para ocupar as instalações do Governo. Foi a chamada Revolução de Outubro, que deu, finalmente, o poder ao Soviete de Petrogrado, liderado pelos Bolcheviques.
| Guardas Vermelhos dirigem-se para o Palácio de Inverno em São Petersburgo (Recriação Histórica em 1920) |
No poder, os bolcheviques encontraram muitos obstáculos na sua tentativa de instaurar o novo regime político (que tinha por bases o marxismo-leninismo) como a situação económico-social em que a Rússia se encontrava e a oposição política de frentes como as forças czaristas, as facções políticas depostas e as nacionalidades do império que queriam a liberdade.
Este período que se seguiu à Revolução de Outubro foi chamado de Comunismo de Guerra e durante o mesmo foram aplicadas várias medidas que mudaram a Rússia por completo. As mais importantes foram: a negociação imediata de paz com a Alemanha e a retirada da Rússia da Guerra (para obter a paz, a Rússia concordou em assinar um tratado, do qual saía altamente prejudicada – perdeu muitos territórios, incluindo ¼ das suas minas; porém Lenine acreditava que esta medida era de extrema importância, pois precisava dos homens que estavam na frente da guerra para defender a Revolução); a proclamação dos “Direitos do Povo Russo”(que defendia a igualdade e a soberania do povo); a proclamação da 1ª Constituição da Revolução (que favorecia o proletariado, declarava o Estado russo um Estado federalista e multinacional, punha em prática o sufrágio universal e acabava com as classes sociais); a destruição do sistema capitalista e a colectivização de toda a economia – nacionalização das terras, das empresas e dos bancos (o Estado vai reunir todo o potencial económico russo; a base do sistema capitalista é o lucro, que é recebido pelo patrão; através da nacionalização, o lucro passa para o Estado, que por sua vez o distribui egualitariamente por todos os cidadãos); instituição do regime de partido único (a base do sustentação do partido único era a “democracia”, pois todos votavam nestas eleições); instituição da polícia política e da censura (Lenine justifica a criação da polícia política e da censura ao dizer que as mesmas servem apenas para reprimir os apoiantes dos Czar; na Rússia passa a haver apenas um jornal, dirigido pelos membros do Governo); a preocupação com o movimento socialista internacional – III Internacional (Lenine queria expandir o comunismo ao resto do mundo).
Em 1922 acabou a Guerra Civil, na qual o exército dos vermelhos (que defendia os bolcheviques e era liderado por Trotsky) lutara com o exército dos brancos (que atacavam o comunismo e que eram apoiados pelos países capitalistas, como a França, a Inglaterra, os EUA e o Japão, que temiam que a população dos seus países aderisse, também, ao comunismo). A vitória foi do exército vermelho, afirmando o triunfo da República Socialista. No entanto, a Rússia ficou devastada economicamente com a guerra civil (onde morreram cerca de 10 milhões de russos) e a situação económica continuava muito má, causada em parte pela resistência de alguns sectores às medidas do comunismo de guerra. Os níveis de produção eram ainda mais baixos que os de 1917 e a fome e a miséria reinavam por toda a Rússia.
Face a todos estes problemas, Lenine viu-se obrigado a alterar a organização económica e criou, para esse efeito, a NEP (Nova Política Económica). A NEP permitia um recuo na nacionalização e instaurava um modelo capitalista em pequenas dimensões. Lenine vai, portanto, tornar algumas empresas privadas para salvar a economia. Mas apenas as pequenas porções de terra e as pequenas empresas passaram a ser privadas, para que houvesse lucro, mas não o suficiente para que o patrão enriquecesse. Deste modo, as minas, as grandes fábricas, etc. continuaram a pertencer ao Estado.
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